Professora da Ufba que pesquisa sobre gênero é ameaçada de morte por meio de redes sociais

Uma professora e pesquisadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher (Neim) da Universidade Federal da Bahia foi ameaçada de morte por meio das redes sociais. O caso foi denunciado pela instituição em comunicado divulgado na quarta-feira (22). O nome da vítima não foi divulgado. Também não foi informado quando ocorreu a ameaça, apenas que foi recente.

O comunicado foi assinado pelo reitor João Carlos Salles Pires da Silva, que preside o Conselho Universitário da universidade (Consuni). O Consuni aprovou no último dia 13 a moção de repúdio proposta pela conselheira Maria Hilda Baqueiro Paraíso, diretora da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, que propôs indignação diante da ameaça sofrida pela professora e outras tentativas de cerceamento da pesquisa na instituição.

De acordo com a diretora do sindicato dos professores da Ufba (Apub), Luciene Fernandes, a ameaça ocorreu por meio das redes sociais e foi relacionada ao objeto de pesquisa da docente. Em protesto contra as ameaças, está programado uma manifestação às 11h desta quarta-feira, no campus de São Lázaro.

A instituição também disse que cabe à professora decidir se levará o caso à polícia. O G1 não conseguiu contato com o Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher até a publicação desta reportagem.

Ataques

A nota do Consuni divulgada na quarta-feira denuncia ainda a tentativa de impedimento de defesa de uma dissertação de mestrado de um aluno do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências (IHAC), quando foi preciso solicitar a segurança da própria universidade.

O orientador da dissertação de mestrado, Leandro Colling, disse que a dissertação era sobre gênero e sexualidade em uma escola de ensino fundamental. Apesar da ameaça de impedimento, o grupo acabou não comparecendo à defesa.

“Recebemos informações através de pessoas conhecidas de que um grupo de pessoas iria para a defesa para impedir a realização da banca. Em função disso, solicitei segurança, mas as pessoas não apareceram”, afirma o professor. Leandro diz que o nome do aluno não será divulgado por motivo de segurança.

O comunicado do conselho da Ufba afirmou ainda que ocorreu “perseguição e ridicularização nas redes sociais de projetos de pesquisa e extensão que versam sobre as temáticas de gênero, diversidade, mulheres e feminismos”.

Em nota, o reitor afirma que “o clima de intolerância que se estabeleceu neste país vem repercutindo de forma drástica na liberdade de expressão, no livre exercício profissional e na autonomia universitária para tratar de temas relevantes concernentes a determinados segmentos sociais”.

Ele ainda se manifesta contra “investidas reacionárias que buscam calar o livre debate de idéias e silenciar todo um campo de estudos legitimamente construído e que é fundamental para que possamos ter uma sociedade menos violenta e desigual”. “A perseguição à liberdade de expressão cultural e científica nos envergonha e nos ultraja e é uma afronta aos princípios da democracia”, finalizou João Carlos.

22/11/2017

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